Sérgio Cabral na cadência do Samba


O samba foi o primeiro ritmo pelo qual me apaixonei. Ainda não sabia naquela época, que meu inocente batuque nas caixas de fósforo acompanhando as melodias que meu pai e meu tio escutavam seria apenas um sinal de que minha vida teria como norte principal a música e suas inúmeras segmentações.
Ao firmar parceria com a UniJazz Brasil, orquestra recente porém com integrantes de bagagem da música carioca, que tem como força motriz o jurista e baixista Moisés Pedro, me vi novamente inserido neste maravilhoso contexto das melodias nacionais, compostas por muita gente que já não está mais aqui, porém que deixou sua inegável marca.

Todo esse mergulho de ´volta´ às raízes, me levou a uma outra figura, a meu ver fundamental para o salba no Brasil: Sérgio Cabral. Calma, não se espante. Me refiro é claro, ao Cabral Pai. Jornalista de grande magnitude, Cabral é um dos maiores responsáveis pela repercussão que o samba possui até hoje, tanto em nosso país quanto no exterior. Recentemente li um post que dizia ´Cabral filho derrotou o Rio de Cabral pai´. É uma frase de impacto, mas que traduz exatamente o que ocorreu, com a derrocada do governo de Cabral filho.

Sérgio Cabral / divulgação
Sérgio Cabral, o pai, era boêmio de corpo e alma e foi um dos fundadores do jornal mais famoso e irônico que se teve notícia no Brasil, o Pasquim, ao lado de outras duas grandes figuras, Jaguar e Tarso de Castro. Pesquise sobre o Pasquim! Para quem não viveu os tempos difíceis da ditadura militar, é uma rica prova de quão inteligentes e resistentes eram estas pessoas e todos os que faziam parte de seus projetos.

O alcance de Sérgio Cabral, o pai, é imenso. Ele atuou ainda como produtor musical e compositor, contribuindo com suas ideias e poesias atemporais para composições de Visgo de Jaca, Janelas Azuis ajudando também a compor com a Velha Guarda da Portela. Por uma grande ironia do destino, com a ganância sem fim do filho no poder, teve a tristeza de ser contemporâneo do encerramento das atividades de um dos maiores símbolos da boemia de seu tempo, o restaurante Petisco da Vila, que sucumbiu diante da grave crise que se instalou no Rio de Janeiro durante o governo de Sérgio Cabral, o filho. 


Atualmente sofrendo de Alzheimer, Sérgio Cabral pai diz não reconhecer mais o filho, segundo noticiou a Veja, no final de 2016. Daria matéria sufiente para montar uma peça, uma tragédia, um romance, que mistura momentos de felicidade, com ganancia e um desfecho trágico para um nome que começou fazendo bem à sociedade mas que teve na geração seguinte uma decadência tão grande, capaz de ofuscar a grande importância que Cabral pai teve para o mundo da música.


Você também pode gostar:

0 comentários

Mais vistos

Arquivo