A felicidade é algo seu, conquiste-a!

Momento feliz: Tocar em alto mar com esse visual
Dia desses estava conversando sobre o que vem a ser a felicidade. É um conceito tão amplo quanto difícil de definir, ao constatarmos o óbvio: cada um de nós é um universo, já cantava Raul. Dito isso, posso fazer aqui uma lista de coisas que vêm me fazendo feliz ao longo desse quase meio século de existência.

Nasci apaixonado por música e essa busca incessante por sons e por estar com pessoas que também admirem esse tipo de arte, não necessariamente compartilhando do mesmo gosto que eu, tem me levado a lugares e pessoas jamais imaginados.

Minha alma contestadora e pesquisadora me levou a construir o site Culturall em 2001, junto ao meu irmão Ravengard e logo viriam muitas outras pessoas. Formamos uma verdadeira redação online, já naqueles tempos. Muita gente boa veio e se foi do Culturall, num processo natural de aprendizado e renovação.
O trabalho como DJ facilitou as conexões / arquivo pessoal

O site em si nasceu em 2001 durante o Rock in Rio. Tivemos a grande sorte de sermos credenciados para cobrir o festival pela revista Trace Urban, do talentoso e competente Claude Grunitzky, a quem serei eternamente grato. Naquela época eu ainda tinha um pensamento um tanto amador sobre as coisas, estava maravilhado e querendo aprender de tudo um pouco e isso acabou me levando até ele.
Abrindo uma das noites no Circo Voador / Radiocultfm

Esse post é quase motivacional, porque trata de acreditar em sonhos, por mais loucos que eles possam parecer pra você no momento em que surgem na mente. O pensamento, quando transformado em ação, pode operar milagres em nossas vidas e tenho comprovado isso.

O papo está longo, mas acredito que vale a pena você seguir lendo. Conheci o Claude (Trace Urban Magazine) devido ao meu vício em ler, herdado do meu pai, o saudoso Franciné Veloso. Minha mãe também lê bastante, porém meu pai batia recordes. Estava em um dia na casa da mãe da minha filha, creio que em 2000, lendo jornal e me deparei com uma notícia sobre a revista, relatando que ele estaria no Rio.
Selecionando músicas para tocar na boite do navio
Grand Celebration / Radiocultfm

Sempre tive mente cosmopolita, embora naquela época, não viajasse muito. Algo ali naquela notinha do Ancelmo me deu um click. Recortei a notícia e guardei. Naquela época eu não tinha nem computador, só usava o de um trabalho temporário que arrumara, com outro cara formidável que passou por minh vida, o José Antônio, do ramo de seguros.

Preciso resumir, me desculpe. Joguei o nome de Claude na internet, lembrando que naquela época, não havia Facebook, só o parco Orkut e algumas outras tosqueiras. Era mais difícil encontrar alguém pessoalmente mas não impossível. Consegui um link com ele através de uma menina chamada Isabel e obtive o e-mail de Claude.
Gravendo o programa Jam Sessions,
com Jamari França e André Luiz Costa

Nunca fui fluente em inglês mas a música (olha ela aí de novo!) sempre me facilitou a vida, pois desde os anos 80 consumo revistas, letras traduzidas e preferia sempre ver filme legendado, daí que fui armazenando frases que poderia um dia usar. Depois fiz até um curso, não concluído, que também me auxiliou demais a ampliar um pouco o vocabulário.

Me enchi de coragem e formulei um e-mail. Sempre me achei tímido, mas a distância imposta pela internet, por vezes me ajudava a maquiar esse lado. Escrevi algo mais ou menos assim:

"Olá Claude, tudo bem? Me chamo Luck Veloso, trabalho com música e informação (não fazia idéia do que seria ´trabalhar com informação´, mas achei que poderia soar bem) e vi que está no Brasil para alguns contatos para a Trace (ele fez uma edição totalmente dedicada ao Brasil em 2000). Como haverá nova edição do Rock in Rio em 2001, acho que poderemos fazer uma parceria para a cobertura."
Tocando durante o carnaval no navio Grand Mistral / Radiocultfm

Ao apertar o botão de envio, ainda não sabia, mas estaria dando início a uma das mais recompensadoras experiências da minha vida. Alguns dias se passaram até que a resposta de Claude aparecesse na minha caixa de entrada. Respirei fundo antes de abrir. A gente tem a tendência a imaginar o pior. Por que somos assim? Isso nos foi plantado estratégicamente ao longo dos tempos, mas isso é um papo para outro post.

Para a minha surpresa (não deveria estar surpreso, mas estava!), Claude respondeu positivamente, falando que poderíamos sim pensar no assunto sobre a cobertura do Rock in Rio para a Trace Urban Magazine! Me tremi dos pés a cabeça e dei a notícia ao meu irmão Ravengard e ao meu grande amigo e fotógrafo Cláudio Fagundes.
Rock in Rio de 2015, com Jamari França e André Luiz Costa / foto de Cléber Júnior

O Rock in Rio de 2001 ocorreu entre os dias 12 e 14 e depois de 18 a 21 de janeiro.  Batalhamos com sucesso junto à assessoria do evento por três credenciais e conseguimos. Foram sete dias de trabalho intenso, muita diversão, descobertas e novas e duradouras amizades.  Uma delas, nos acopanha até hoje, a assessora Andréa Alves, que nos mostrou todos os bastidores mágicos da Tenda Brasil na época.

A partir disso, começamos a montar o site Culturall, utilizando as fotos do Rock in Rio como conteúdo (acabou não dando tempo de entrar na edição da Trace daquele mês) e aproveitamos todo o material para nascermos já com uma grande cobertura. Nenhum de nós era jornalista, fato que tornou a escrita completamente apaixonada e pessoal na época. Com a experiência, passamos a cobrir todos os festivais seguintes.
Com Mônica Montone, no Circo Voador

O Culturall (havia nascido Clube Culturall, sendo abreviado depois) começou a atrair mais gente, chegando a ter várias colunas, entre elas a de poesia, pilotada por Mônica Montone, que depois lançaria os livro Mulher de Minutos (Íbis Libris, 2003), Sexo, Champanhe e Tchau (Oito e Meio, 2013) e A Louca do Castelo (Oito e Meio, 2013). André Nóbrega também participava inserindo vários textos e poemas, de sua autoria e outras informações relacionadas ao tema. Tivemos também na época, uma intensa cobertura feita por Rita Santander, em São Paulo, com infos diárias da terra da garoa.

Havia ainda uma coluna de livros, que eu mesmo editava, chegando a receber dezenas de livros de diversas editoras por mês para divulgação e resenha, além de colunas de música, editadas por mim, Daniel Santos, outro grande amigo que fiz nesses anos de informação via meios digitais e de coberturas de eventos. A coluna teatro era pilotada por meu irmão Ravengard. Certa vez, chegamos a ter uma lista de convidados com mais de 300 nomes no Teatro João Caetano, para ver a peça "Os Solitários", com Marieta Severo e Marco Nanini. A partir disso, fizemos muitas outras parcerias, levando leitores gratuitamente a shows diversos, tanto nacionais quanto internacionais.
Universidade Estácio de Sá em 2009
A partir de 2009, quando trabalhava na Universidade Estácio de Sá, me veio a enorme vontade de ter uma webrádio. Na época, trabalhava lá conosco um cara chamado André Luiz Costa, produzindo o programa ´Vinyl´ para a Estacioradiosite.com, a webrádio da universidade. Como diz Gene Simmons, a escolha de um sócio é algo muito criterioso. Pelo menos deve ser. É um casamento sem sexo (graças a Deus!) e vi em André muita coisa de mim. Comprometimento, cumprimento de prazos e a vontade de ter algo próprio. O convidei para iniciarmos uma nova webrádio, assim que a da UNESA encerrou as operações. Nascia então a Radiocultfm.com.
Painel do evento Maldita 3.0 com vários amigos profissionais do rádio, literatura e da música em geral.
Da esquerda para a direita: Luiz Antonio Mello, Noemi Machado, Ricardo Schott, Dailson ´DJTerror´Sabino, Armando Louder, Alessandro ALR, Carlos Eduardo Lima, Luck Veloso, André Luiz Costa e Jamari França.
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Tanta gente veio trabalhar conosco na sequência que, se tivessem me dito isso algum dia, como uma premonição, eu jamais acreditaria.  Gente como a Andréa Alves (sim, aquela do Rock in Rio), Roberta Accioli, Rogério Bezerra (que conhecera a rádio através de uma promoção), Verônica Vianna, Andrea Andion, Thales Fiorin, Luciana Rocha, Philipe Mello, Armando Louder, Nem Queiroz, Cleber Júnior e muito mais gente que já colaborou conosco ao longo do tempo.

O mais louco disso tudo, sobre o poder de sonhar e ter a coragem de pedir, de propor, de acreditar no que você deseja, é atrair não só gente que pensa como você e também quer realizar algo bom e diferente, mas trazer também gente na qual você inclusive se espelhou. Foi assim com Jamari França e Luiz Antonio Mello, os dois caras que ajudaram a colocar o rock do Brasil em todos os cantos do país e seguem na ativa sempre sagazes e contundentes. Tê-los a bordo da Radiocultfm é como contar com Neymar para jogar uma partida.
Evento da Radiocultfm no Teatro Odisséia, em novembro de 2015 / foto de Nem Queiroz

Iniciei esse post sem medir a dimensão que poderia tomar, mas imaginando um resumo para o que viria a ser a tal da felicidade. Como isso aqui (ainda) não é um livro, encerro o texto dizendo algo que venho aprendendo ao longo desses anos: se você sonha algo, se imagina algo, é possível. Acredite! No início eu fazia, mesmo ainda não acreditando muito. Com o tempo, a confiança vai fazendo parte do teu ser e hoje em dia, meus e-mails com pedidos são quase um decreto. Isso vem me ajudando ao longo da caminhada e já me levou a lugares (inclusive a países) em que jamais pensei em pisar, mesmo em meus mais longos devaneios, inclusive na conquista de Mari, minha mulher que me atura e me acompanha em todas as jornadas. Sejamos felizes e se ainda não somos, nos imaginemos assim, pois o poder do pensamento é algo do qual não podemos fugir, apenas aproveitar. Carpe Diem!

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