Cólera no Subúrbio Alternativo: Que esse grito não seja em vão

Pierre na bateria / Cólera
Punk rock é andar na contramão, é desnortear quem está perto e afastar os comportados. É mais sentimento que música, mais esporro visceral que melodia, é um sentimento de britadeira rasgando o coração e a alma. Nada no mundo se compara a um show de punk rock, hardcore e afins. 
Wendel Barros fez bonito nos vocais / Cólera

Estive no sábado, 3 de outubro, presenciando a apresentação histórica do Cólera no Subúrbio Alternativo, espaço administrado por Dailson ´DJ Terror´Sabino. Alguns puritanos que viam aquele movimento de mil pessoas na Rua Iguaperiba em Brás de Pina poderiam pensar tratar-se de um hecatombe, devido à quantidade de gente a se degladear com socos e pontapés em um ritmo frenético que remetia ao fim do mundo.

Impossível assistir parado / massacre do bem no Cólera

Felizmente o que se presenciou ali foi a mais pura celebração do bem. Um encontro de almas, misturadas à música, acordes, cordas, gritos e cabelos ao vento, que em um só movimento, expulsavam o demônio chamado estagnação. Pelo menos por algumas horas, centenas de meninos e meninas, com seus boots, roupas pretas de couro e rasgadas, puderam sim repetir a frase que ecoa até hoje no Brasil: "Que esse grito não seja em vão!".

Chaos HCRJ apimentou a noite antes do Cólera

O grupo mais punk rock do Brasil, Cólera, surgiu em 1979 com os irmãos Redson e Pierre e ganharam aos poucos um enrme séquito espalhado pelas dimensões continentais do nosso Brasil. A noite contou também com as bandas Serial Killer e Chaos HCRJ, que fizeram uma introdução impecável para o ataque final, ao comando de Pierre na bateria e o substituto de Redson, Wendel Barros segurando muito bem o papel de ´front man´ do grupo.

Serial Killer deixando a pista quente para o Cólera

A banda comemorou os 36 anos de estrada tocando na íntegra o festejado disco "Pela Paz em Todo Mundo", lançado em 1986 e venerado até hoje por quem curte rock de protesto com causa e vivência. O Cólera transformou a rua do subúrbio do Rio em um estádio. Não é exagero. A noite foi emocionante demais e sugiro pensarem em uma vinda anual ao Rio, quem sabe até semestral. As letras seguem super atuais e é sempre bom irmos renovando a galera pensante de nosso Brasil varonil. Pela Paz em Todo Mundo, Cólera no Rio mais vezes!

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