Beatles: um caso de amor - feliz aniversário John!

Durante bons anos me recusei a ouvir Beatles. Achava chato. Acredito que peguei um trauma de "Twist and Shout", versão ao vivo, que pus para tocar milênios atrás em um aniversário. Dj de festinha é assim, Beatles, Chubby Checker e outras raridades para alegrar as mães das moçoilas. Beatles passou varado por mim e quando me dei conta, havia mergulhado no ácido house dos anos 80/90.

Foi somente no começo dos anos 2000 (acredite) que, finalmente, mesmo que tardiamente, fui notar aqueles quatro caras narigudos com os cabelos escorregadios. Achava um saco mesmo, achava repetitivo e melancólico. Coitado de mim. Talvez ainda não tivesse sido acometido por uma arma poderosa chamada amor, embora achasse que sim.

Alguns goles e álbuns depois, descobri a pólvora quando ouvi versões incríveis de "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" e com uma pequena ajuda dos meus amigos, descobri Lucy e fui ao céu com os diamantes! Quão idiota e presunçoso eu fora! Fiquei feliz por Paul não ter se zangado comigo e durante seu show em 2014, o qual tive o privilégio e a honra de assistir ao lado de um dos maiores especialistas em Beatles que conheço, o mestre Jamari França, olhei para ele aqui no Rio de Janeiro e fiz um agradecimento silencioso. Foi também o sorriso dele que me cativou. Que cara simpático!


O mais forte porém ainda estava por vir. Um dia vi o especial sobre o histórico disco "Plastic Ono Band", lançado dois anos antes de eu nascer, em 1970. O disco, quase um diário de John Lennon sobre sua relação com Yoko, um pouco antes da dissolução dos Beatles, pega ainda temas de sua vida pessoal, o relacionamento conturbado com a mãe (Mother) e também a desilusão em torno de religião (God), fala sobre o amor (Love) e outros sons que viriam a ser hinos. Chorei. Sexta, 9 de outubro de 2015, ele faria 75 anos e segue fazendo muita falta por aqui.

Música tem algo que droga alguma no mundo pode te dar: vibração verdadeiramente emocional e positiva, mesmo que seja triste, como me senti ao ouvir esse disco. A densidade das melodias, os gritos de John (Well Well Well), quase experimentalistas, a presença forte e constante de Yoko, ali ao seu lado, como que a suportar tanta carga e aquele rosto plácido, pacífico e ao mesmo tempo visceral. Já me perdoei por ter cometido a heresia de um dia achar que tudo era melhor que Beatles. Em 4 de março de 1966 John declarou que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo. Gostaria que hoje em dia seus sons estivessem pelo menos no mesmo patamar.

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