Alice Caymmi nos trouxe o país das maravilhas

Alice Caymmi  / Divulgação
A questão do DNA é algo intrigante. Quando vi Alice Caymmi pela primeira vez, em um programa de TV, tive um pensamento quase preconceituoso, confesso. É difícil ser ´herdeiro´, imagino. Só imagino, pois de meus pais herdei apenas a grande vontade de trabalhar. Mas Alice Caymmi herdou isso e muito mais!


Após lançar o primeiro álbum, que levava seu nome, em 2012 ela não se aquietou. Felizmente, percebeu que tinha um caminho longo pela frente. Se no primeiro trabalho predominou um clima de calmaria, digno aliás do que o nome Caymmi faz belamente por nosso país, no segundo trabalho, "Rainha dos Raios" (2014), Alice revelou a sua verdadeira face. O título vem da canção "Iansã", de Gil e Caetano, que ganhou uma versão profunda e inusitada. Alice revisita Caetano mais a frente, em "Jasper", de Caê, Arto Lindsay e Peter Sherer.
Alice Caymmi durante a gravação do- lipe de Homem, versão eletrônica da música de Caetano Veloso

Ando viciado em ouvi-la cantar. Ouço, volto, estudo os timbres, os deboches e as ironias que ela solta com a belíssima voz, outra grande herança que ela usa muito bem. Filha de Danilo Caymmi e sobrinha de Nana, ela agora aponta para um novo caminho para a grife Caymmi. Como uma guerreira recém-nascida, ela coloca um boot contemporâneo, com tempero eletrônico em releituras intrigantes de alguns clássicos da música nacional e até de versões já consagradas, como "Sou Rebelde".

Embora admire a força do trabalho de MC Marcinho, não costumo consumir sua música, a não ser que já esteja suado e com a alma alterada por alguma cevada qualquer. Isso até conhecer a versão classuda de "Princesa". Quanta honra! Marcinho deve ter ficado exultante. Eu ficaria. Com produção de Diogo Strausz, o disco ficou com um apelo irresistível. Isso aqui pode parecer até matéria paga, mas não é. Simplesmente não dá pra ouvir só uma vez. Até quando entoa o clássico "Meu Mundo Caiu", coloca ares de novo som, puxando a música para si, dando um clima tango que quase remete à dança.

Ouvir o disco me deixou ansioso. Alice se apresentará no dia 20 de setembro no Rock in Rio. Será o terceiro dia do festival e lá estaremos, a absorver a sua arte ao vivo. Dividirá o palco com Eumir Deodato, um dos maiores nomes do jazz nacional e que teve importante participação também na bossa nova. Falar sobre Deodato nos vale um outro post, claro. No domingo de setembro, como dizem por aí, Eu Vou!

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