Buenos Aires

Depois que provei a vida de tocar ao sete mares, nao consigo mais ficar afastado tanto tempo dos navios e foi assim que aceitei fazer mais um mês embarcado. O convite para a Europa ja foi feito mas ha muita coisa em jogo para eu poder ir para la este ano. Vou ficar no Brasil em 2011 e quem sabe faço outra rota para fora no próximo ano. Mas enquanto isso nao acontece, embarquei para 30 dias incluindo o carnaval. Por pequenos contratempos de programação, me chamaram de volta. Como a companhia gostou de mim e eu também gostei deles, o casamento foi perfeito! Embarquei na minha amada Rio de Janeiro mas levaria ainda dois dias para começar a tocar. Havia um DJ argentino a bordo, ate porque 100% dos passageiros eram argentinos, entao fiquei a observar, ja que ainda nao tinha (quase) nada da musica dos germanos.

A segunda noite a bordo foi a Noite de Disfarces, um carnaval meia boca com muita musica argentina e versões brasileiras. A coisa andou bem e a piscina ficou lotada. Ponto para Nico, o musico que fez as vezes de DJ enquanto eu nao embarcava e continuou a tocar por mais dois dias ate eu assumir as carrapetas hoje. Quando vi meu nome no diario de bordo e soube que tocaria na boite somente para argentinos deu um frio na barriga. Confesso que nao fazia idéia do que tocaria, mas depois que inventaram a camaradagem e o bule tooth, tudo se encaixou perfeitamente. O publico argentino se mostrou um dos mais carismáticos que tenho encontrado ao longo dessa vida como DJ e aprendi que a Cumbia é o que eles mais gostam de ouvir. E tome de Cumbia, aproveitei para pegar aos montes com os passageiros.

Um breve passeio por Buenos Aires, Rolling Stone e Stellao

Acordei tarde no dia seguinte. Foi minha primeira noite tocando nessa temporada e a galera nao queria sair da boite de jeito algum. Quando fui comer algo nao encontrei ninguém. Pudera, o povo acorda cedo para poder sair por Buenos Aires. Peguei a câmera e zarpei para fora do porto, andando sem rumo certo pelas ruas do centro da cidade. Adoro fazer isso, caminhar sem destino por lugares que nunca pisei. A principio fiquei meio temeroso em pegar a câmera e ficar tirando fotos como um turista pela capital. Era sábado e as ruas estavam um tanto desertas, mas a beleza do sol e o céu azul me pediam para registrar tudo aquilo e pronto, peguei a cam e fiquei ali, zanzando pelo centro e flagrando o cotidiano daquele delicioso sábado por Buenos Aires. Uma das coisas que mais me atrai pelas terras que ando sao os carros antigos, que costumo fotografar sempre. Durante a caminhada pelas ruas da Argentina, flagrei um Alpha Romeo super antigo que tratei de clivar. Havia ainda uma infinidade de Dodges rondando por lá.

O povo argentino é bem atencioso e cortes, o que me fez sentir bem a vontade para continuar a caminhada. Busquei em bancas de revista o exemplar local da Rolling Stone, que o Andre (Luis Costa, da radiocultfm.com ) me havia solicitado. Pimba! La estava. A 14,90 pesos, comprei duas. Nao fui muito longe. Por ter acordado tarde, nao teria mais que três horas para fazer o que desejasse e logo apos um giro de uma hora a pé pelas ruas da capital, busquei um lugar agradável para folhear a revista. Fiquei no Tilo +, um boteco com ar de metido que fica logo ao lado da estação de trem e em frente a praca principal. Pedi um Stellao, que é aquela garrafa de Stella Artois com 975 ml (22 pesos) e fiquei ali, a saborear o ar e os costumes argentinos. Gostei. Desejo um dia voltar com mais tempo a essa terra para conhecer de verdade o que a Bombonera tem e porque Diego Maradona era tao feliz por estas paragens.

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