Mikonos com sabor de despedida


14 de outubro de 2010

Estamos chegando próximo ao final da temporada européia. Ja faz um certo frio m alguns lugares e ate mesmo em Rodhes, onde eu costumava torrar ao sol ha um vento gelado. Chegamos a Mikonos perto das cinco da tarde e teoricamente eu nao poderia mais descer na famosa ilha grega nas próximas idas pois em todas estarei "de cor", ou seja, sera meu dia de ficar a bordo, sem poder sair. Conforme confessei ha alguns posts, nao tenho a mínima intenção de deixar de descer em Mikonos, portanto, dei um jeito de poder sair. Fui advertido por alguns amigos sobre o perigo de fazer esta modificação em cima da hora mas sempre fui movido muito mais pela emoção do que pela razão, portanto, passei pela porta da frente sem sentir frio na barriga e fui em frente. Precisava muito sentir o ar de Mikonos novamente e desta vez, sai sem nada nas maos. Sem câmera, mochila ou macbook, nada. Consegui sair por volta de 19h pois tive que explicar varias coisas ao novo stage manager que chegara.

Peguei o shuttle bus que faz a conexão do barco com a cidade e desci la no meio do burburinho. Fui direto a locadora tentar alugar uma moto, queria muito circular mais longe pela ilha, mas queria ir sozinho, sei la, me deu uma vontade de voar, uma vontade de me sentir completamente livre, sem amarras. Logo de cara, a decepção, como já estamos em temporada baixa na Europa, quase tudo fecha bem mais cedo, principalmente em Mikonos e dei com a cara na porta já na primeira tentativa de alugar uma moto. Fui andando por mais duas ruas e encontrei duas lojas de aluguel de carros que também estavam fechadas. Nao teria jeito, ficaria ali pelo miolo de Mikonos mesmo, caminhando entre as vielas. Encontrei com os amigos técnicos em um bar mas nao queria ficar ali sentado vendo a vida passar. Os cumprimentei e encontrei ainda o Thiago, que tinha sido cruise director do navio quando toquei no carnaval no Brasil. Bacana revê-lo, agora ele trabalhava no Costa Fortuna.

Caminhei por meia hora entre as ruas de Mikonos, agora com bem menos turistas do que nos meses anteriores, o que da uma certa nostalgia, um certo ar de tristeza até. Nao me imagino morando ali, seria maravilhoso no primeiro mês mas acho que no segundo, morreria de tédio. Fora o Super Paradise e o Cavo Paradiso, Mikonos é um centro de lazer para milionários, com hotéis caríssimos a beira mar e com um incrível visual composto por luzes indiretas. Fui andando ate chegar aos famosos moinhos, que ficam em frente a uma pequena praia, na verdade, uma pequena enseada que tem ao seu final um charmosissimo e famoso lugar, chamado de Little Venice (pequena Veneza). Olhando acima na foto que fiz você entendera porque o nome, realmente lembra um pouco Veneza, com o mar batendo nas paredes das casas. Fui caminhando em direção aos restaurantes de Little Venice e em determinado momento, observei entre as ruas que havia um espaço escuro, totalmente vazio, como se fosse uma parte de Mikonos abandonada. Quando vejo filmes de terror sempre me pergunto por que o mocinho é atraído por lugares soturnos e estranhos. A verdade é que gostamos do novo, do desconhecido e la fui eu, entrando por aquelas ruas escuras e completamente vazias, onde se ouvia apenas o barulho do mar que cerca a ilha.

Achei uma pequena viela que terminava em frente ao mar, um cenário deslumbrante! Fiquei sentado ali, terminando minha cerveja e iniciei uma silenciosa prece. Queria agradecer muito por esta oportunidade. Nao sei se mereço estar por aqui, andando por todos estes lugares, mas creio que sim, por isso, me senti grato, um sentimento enorme de gratidão, nao sei exatamente a quem, na verdade a tanta gente e coisa… A essa forca enorme que temos dentro de nos que chamamos Deus e ainda, meu pequeno exercito, minha pequena mas poderosa torcida, composta por minha amada mae, toda a minha família, a doce e amada Mari, sempre com sorriso para me atender e mais um monte de amigos com quem sempre contei, para conversar, dar conselhos, ouvir outros tantos e entre uma cerveja e outra, ficar ali absorvendo os conhecimentos. Agora os estava usando, sozinho em meio a uma famosa ilha destante de tudo e de todos e me sentia arrepiado de tao feliz. Comecei a sorrir mas me segurei para nao chorar de alegria. Estava ali, curtindo Mikonos, somente eu comigo, ninguém mais. Isso realmente nao tem preco. Percebi que perto de mim havia um bonito restaurante com uma musica muito convidativa…

Voltei para a rua principal e entrei no restaurante de onde se ouvia a musica. Katarina's é um pequeno mas aconchegante restaurante, com cara de pub de frente ao mar formado por três andares. Fiquei la por duas horas bebendo minha cerveja completamente sozinho e envolvido no clima de Mykonos, vendo aquele mar transparente, a noite invadindo a janela e depois, fui para a varanda apreciar aquele cartão postal vivo. A trilha sonora em certo momento ficou direto em Gotan Project, que tive a felicidade de ver ao vivo no Brasil. Agora a noite estava perfeita. Eu e eu, somente. Bastava. Feliz, sorrindo, ouvindo Gotan Project e comemorando o fato de estar vivo, feliz, trabalhando com o que amo e ainda conhecendo um lugar paradisíaco como aquele… nao tenho realmente do que reclamar na vida!

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