Alexandria - Egito


Alexandria, Egito, 22 de outubro de 2010

Esta é a quarta vez que passamos pelo Egito e a ultima desta rota. No mês passado dei uma ida nas pirâmides, um sonho antigo que realizei. Como contei no post daquela época, fiquei surpreso pois imaginei as pirâmides no meio do nada e apos duas horas e meia de ônibus, la estava eu, de cara para os enormes triângulos de pedra e depois, a enigmática Esfinge. O passeio vale muito a pena mas desta vez, estou procurando economizar algum dinheiro e a excursão custa cerca de 77 euros, entao prefiri ficar no navio mas já pensando em pelo menos sair para uma volta em Alexandria, onde estávamos ancorados. Combinei com o brother carioca Rodney para darmos uma vota e hoje saímos em quatro, alias, as pessoas mais engraçadas do navio. O próprio Rodney, que é uma criança grande e nao consegue ficar serio por mais de dois minutos, sua namorada no navio Lorena e a amiga dela Tatiana, todos ainda com aquele ar infantil de quem descobre as primeiras coisas, ambos na faixa dos 25. Eu era o "coroa" no meio deles, do alto do meus 38 anos mas me senti bem ao acompanha-los, aquela alegria toda aliviava um pouco a tensão do lugar.

Ao sairmos caminhando pelo porto demos logo de cara com o que nos haviam advertido: uma dezena de taxistas loucos,literalmente desesperados para pegar turistas. Claro que desejávamos caminhar primeiro, eu principalmente. Nao gosto de chegar a uma cidade ou pais e me enfiar em um carro, mas acredite, em Alexandria, é a coisa mais sensata a fazer. Ao sairmos pelo portão principal do porto, enfrentamos esta enxurrada de homens tentando nos falar em varias línguas, como a adivinhar de onde vínhamos. Como metade era brasileira e a outra metade espanhola, imagine a confusão. Eles sao insistentes, um deles veio com um carro muito velho, mas muito velho mesmo, pela contramão nos oferecendo uma volta pelo centro de Alexandria e arredores por míseros cinco Euros. Fiz cara de quem nao estava interessado e fomos andando para a esquerda na saída do porto. O homem nao satisfeito, desceu do carro e veio em nossa direção alertando que estávamos indo para o lado errado, que Alexandria era para a direita… Dificil acreditar, ele poderia falar qualquer coisa, teríamos que tentar acreditar. Confio no olhar. Olhei nos olhos do homem e disse que nao estava pensando em taxi e ele desandou a falar em um inglês um tanto tosco mas compreensível. Confiei nele, nao sei, algo me dizia que era honesto.

Entramos no carro velho quer era o taxi, uma mistura de Fiat 147 com o antigo Passat do Brasil, muito antigo mesmo, caindo aos pedaços. Todos os taxis de Alexandria sao assim, nao ha muita opcao. Apos os primeiros minutos, começamos uma conversa e falamos que éramos do Brasil e Espanha. O taxista era um tanto novo mas já casado e com dois filhos. Se chamava Mustafa. Perguntei como aprendera tao bem o inglês, embora falasse com um arrastado sotaque egípcio. Na escola, ele disse. Legal. Ele estava empolgado em nos mostrar sua cidade natal e aproveitei para metralhar com perguntas. Alexandria tem em media cinco milhões de habitantes mas a vida por la nao é muito fácil. Podemos notar pelas construções, em sua grande maioria antiga e sem reformas. O transito é um caos organizado e a todo instante eu imaginava que poderíamos colidir em algo ou alguém a qualquer momento. Quando eu olhava para Mustafa ele estava sempre tranqüilo e sorridente. Ok, vamos confiar. Rumamos correndo pelas ruas do centro de Alexandria dentro do pequenino carro. Fui na frente e meus três amigos atras. Queria muito ir tirando fotos de tudo aquilo. Que experiência! Fomos direto a Biblioteca Egipcia que, segundo Mustafa é considerada a maior do mundo, ha que conferir. Segundo me informou, ha oito milhões de livros catalogados dentro dela… gente, serio? Nao sei hein…

Logo depois, rumamos para as ruínas romanas, vou pesquisar mais sobre isso mas as fotos estão registradas. Um dos guardas, muito simpático me pediu a câmera por dentro do portão e cedi com um certo nervosismo… imagine se o cara sai correndo com a maquina? Alias, confiei demais no Mustafa e ainda bem que nao me arrependi, pois neste momento das ruínas, simulei pegar minha mochila de dentro do carro mas ele afirmou que eu poderia ficar tranqüilo, ele estaria ali esperando com certeza. Nao sou preconceituoso e venho de um lugar pobre também e é por isso mesmo que fiquei um tanto cismado. Tamanha é a pobreza em Alexandria que tentei apagar da minha mente a visão daquele pequeno taxi indo embora com minha mochila dentro. Cautelosamente nao levei nada alem da minha câmera, mas Mustafa nao sabia disso claro. Ok, vamos dar um voto de confiança a humanidade. Deixei o pequeno carro em direção as ruínas e ele ficou la, parado e sorrindo para nos. Perfeito.

Logo apos conseguir algumas fotos das ruínas pedi ao nosso chofer particular (risos) para nos levar a algum lugar próximo ao litoral, quero sempre estar perto de praia, adoro! Ele sorriu e disse que nos levaria a praia principal de Alexandria, onde os pescadores ficam por dias inteiros e depois vendem o resultado do trabalho no mercado de peixes, que é bem feio por sinal. Rumamos dentro do taxi para a tal praia e fiquei maravilhado com a visão quando la cheguei. Haviamos acordado com Mustafa que o pagaríamos 10 euros por todo o trajeto incluindo o retorno ao navio. Ele concordou, o cara era muito gente boa e queríamos dar mais a ele com certeza. Desciamos em todos os lugares que julgávamos bonito para tirar fotos e agora eu já nao me preocupava mais com minha bolsa, Mustafa havia ganhado um amigo. As crianças egípcias sao muito descoladas, sempre vem ao seu encontro puxando assunto, mas a maioria esta na verdade tentando te vender alguma coisa. Consegui fazer fotos de algumas delas e também de uma fortaleza que ha perto do porto ,muito bonita com a bandeira egípcia no topo. Rumamos em seguida em direção ao bazar mas no meio do caminho, as meninas quiseram comprar algo para comer. Achei ótimo pois seria finalmente a oportunidade para parar no meio da rua e fotografar tudo, queria ficar menos tempo dentro do carro. Enquanto as 'crianças' compravam doces, fiquei ali disparando com a Nikon para tudo o que achava interessante. Fotografei um Opel Record em perfeito estado e andando… para quem nao sabe, este carro é o pai do Opala, que amo tanto no Brasil. Fiz ainda algumas imagens dos prédios de Alexandria e é incrível como as fiacoes ainda sao antigas, a maioria por fora dos edifícios, como se vê nas favelas do Brasil.

Achei que já estava mais do que bom o passeio pelo tempo que ficamos com Mustafa rodando pela cidade no pequeno carro. Ele com certeza iria querer mais do que os dez euros combinados anteriormente, mas valeria a pena. Pedi a ele que rumasse em direção ao porto mas um pouco devagar. Queria ficar olhando por mais tempo e sentindo o vento e o calor da feia mas interessante Alexandria. Provavelmente este foi o lugar mais feio que visitei mas sem duvida um dos mais interessantes em termos culturais e comportamentais. O egípcio é muito vibrante e defende suas convicções com muita fibra. Observamos dois inícios de brigas pelas ruas, um eu consegui fotografar de dentro do taxi. As mulheres usam basicamente burca ou lenços enormes sobre o cabelo. Segundo a tradição, a exposição da figura faz com que desperte nos homens a libido. Sabemos disso é claro mas no Egito ainda é algo um tanto quanto proibido. Me preocupei com isso no inicio do passeio já que a namorada de Rodney é do tipo que chama a atenção e estava com uma camiseta minúscula, mas Mustafa nos disse que nao haveria problema, desde que nao quiséssemos entrar em alguma mesquita. Fiz algumas fotos da mesquita principal de Alexandria e de outra que ha logo na entrada do porto. Retornamos ao navio duas horas depois, mais felizes e um pouco mais ricos culturalmente. Alexandria, uma mistura de antigüidade, tradição, forte cultura e um povo simpático, embora um pouco de cuidado com a cidade faca um falta, quem sabe no ano que vem esteja melhor!


Musicas que ouvi enquanto escrevia este post:

- Por onde Andei;
- Marvin;
- No Recreio;
- Quase que dezoito;
- Nao vou me adaptar;
- All Star;
- Meu aniversario;
- Relicario.

Todas as musicas do albul "MTV Ao Vivo - Nando Reis e Os Infernais", gravado ao vivo em Porto Alegre.

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