11 de setembro - Off road em Mykonos a bordo do Panda



Sempre ouvimos falar do 'jeitinho brasileiro' para tudo, inclusive para as situações mais pitorescas, mas desta vez, quem pensou em dar um 'jeitinho' foram os espanhóis. Estavamos em um grupo de oito pessoas e queríamos todos ir a Paradise Beach. Eu principalmente, pois sempre que chegamos a Mykonos nunca vou, fico sempre pelo centro da cidade, que me pareceu muito mais interessante. Circular pelos becos e vielas pintados de branco me parece uma experiência única. Minha amada Mary me ensinou a curtir isso, andar pelas ruas, ainda mais as pequenas, melhor ainda se forem recheadas de lojas com artigos diversos e tudo super colorido. Adoro! Mas estar em Mykonos semanalmente e nao conhecer Paradise Beach é como visitar o Rio de Janeiro e nao ir ao Pao de Acucar ou ao Corcovado.

Queriamos alugar um carro grande, pois éramos um grupo numeroso, mas nao havia. Duas pessoas do grupo queriam ir de moto, ou quad, como chamam a moto com quatro rodas que ha por aqui. Como nao havia também o quad na loja em que estávamos, alugamos um carro pequeno, somente para quatro pessoas e as outras quatro foram para o meio do caminho, nos esperar passar para os pegarmos e levarmos para outra loja de aluguel de carro. Facil nao? Nao. Entramos no carrinho e rumamos para a cidade. Ao pararmos para pegar os quatro amigos, fomos cercados por duas motos e um carro da empresa em que havíamos alugado o veiculo. Obvio que os caras ficaram nos observando ao longe e vendo nossa ação, ou seja, alugamos um carro para quatro e estávamos tentando enfiar oito dentro dele. Nao teve negociação, tivemos que voltar para a loja e devolver o carro…

A experiência de vida vai te ensinando a manter a calma em momentos como este. Um dos proprietários da loja estava furioso e esbravejava em um inglês com típico sotaque grego que nao devolveria nosso dinheiro, que teríamos que devolver o carro e sumir da frente dele. Achei aquilo engraçado mas nao queria perder 10 euros, que foi a parte que dei para alugarmos o carro. A espanhola Alba, cantora de jazz e esquentada por natureza começou a discutir com o senhor da loja e ele aumentou ainda mais a voz, no que ela respondeu o típico "nem meu pai grita comigo deste jeito". Como ela foi a autora da idéia, de pegarmos o povo no meio do caminho, pensei comigo mesmo: 'talvez se ele tivesse dado uns bons gritos com você quando era menor, nao tivesse idéias estúpidas como esta'. Mas ok, decidi intervir no papo, antes que a coisa piorasse e pedi desculpas ao senhor, falando que realmente nao tínhamos a intenção de ficarmos todos dentro do mesmo carro, apenas daríamos uma carona ao resto do grupo até a cidade, o que era verdade e isso levaria apenas cinco minutos. Queriamos o dinheiro de volta e ponto final.

Apos uns dez minutos de tensão, o cara decidiu devolver o dinheiro, falando para que nunca mais aparecêssemos ali para alugar nada. Agradeci com um sorriso e disse novamente sinto muito e partimos rumo a cidade no bom e velho busao. Ao chegarmos ao centro de Mykonos, encontramos dois amigos brasileiros que também queriam alugar algo, mas com a triste experiência na loja anterior, metade do grupo que estava comigo desanimou de ir a Paradise. Eu queria conhecer a todo custo entao topei ir com o outro grupo que estava mais animado, deixando o anterior. Alugamos um Panda, da Fiat e partimos para a empreitada. Apos convencermos ao cara da loja em chegar as 22h (a loja fecharia as 21), pois já eram quase 20h, partimos. Agora éramos quatro, eu, o bar waiter Sergio, a fotografa Paula e o animador Cesar. Quem iniciou dirigindo foi Sergio mas logo sentimos que o cara nao sabia pilotar muito bem. Apos uma parada em um posto para comprarmos algo para beber, sugeri trocarmos de motorista e Paula assumiu o volante, para nosso alivio. Aquela máxima machista de 'mulher ao volante perigo constante' felizmente nao se aplicava ali, pois paula dirije muito bem.

Acontece que Mykonos é quase uma pista de treino para Rally, ainda mais quando erramos um caminho para Paradise e pegamos uns vales com ruas que mais pareciam becos, com descidas e subidas super íngremes e curvas de fazer montanha russa ficar com inveja. Somando a isso a escuridão da noite, pois nao ha iluminação na rua, ou seja, a cada curva, uma tensão, pois pode vir um carro na outra mao a qualquer momento. Mas Paula estava firme no volante do Pandinha e enfiando o pé embaixo. Eu havia passado para o banco da frente. Nestas horas, prefiro ver o perigo de perto para tomar alguma ação, seja ela qual for. Nos perdemos e agora estávamos dando voltas por ruas super escuras e com um carro cujo motor lembrava o de uma motoneta. Nao agüentava subir as ruas de Mykonos… depois de meia hora vagando no meio do nada, chegamos ate o Super Paradise, que para nossa surpresa, estava super vazio e tocando "Suavemente", do Elvis Crespo. Decepcao. Esperavamos encontrar o de sempre, ou seja, muita gente, muita gente mesmo, dançando ao som de House em frente ao mar grego, mas ficamos frustrados.

Ao retornarmos, agora um tanto mais cansados, nos enfiamos em um vale em que uma das ruas tinha um angulo incrível, perto de 45 graus, seria quase impossível aquele Panda com quatro pessoas encarar aquela escalada. Paula engatou a primeira marcha e arrancamos cantando pneu… O Panda gritou e as rodas começaram a gemer no chão de pedra, cantou cantou mas o carrinho nao agüentou subir, morreu. Recuamos para tomar um espaço e novamente o arranco, desta vez direto, sem respirar, fomos subindo a montanha de pedra cantando todos os pneus e gritando, creio que para espantar o medo, pois do lado direito do carro havia um precipício, qualquer erro poderia ser fatal. No meio disso tudo, me lembrei da data em que estávamos e senti um arrepio. Era 11 de setembro… mas nao comentei nada com ninguém. Finalmente chegamos ao topo do morro e finalmente achamos a estrada de volta, com um suspiro de alivio e um sorriso de nervoso no rosto. Peguei o voltante, pois também queria sentir as ruas de Mykonos, mas já estava bem perto da cidade. Fui seguindo pelas pequenas ruas e entrei literalmente no centro de Mykonos, sendo seguido imediatamente por um carro da policia local. Nao liguei muito pois nestas horas, você tem mais é que fazer cara de paisagem, pois o cachorro sente o cheiro da adrenalina. Claro que a policia nos parou, mas educadamente disse apenas que nao poderia dirigir ali no centro da cidade, teria que voltar com o carro para a estrada. A policia em Mykonos é muito cautelosa pois nao sabe se você é um Magnata que alugou um carro de pobre pra disfarçar e deixou seu Maseratti na garagem ou se é realmente um simples DJ perdido pelas ruas.

Minha emoção acabara ali. Fiquei com uma inveja 'branca' de Paula (todos falam isso né? Inveja branca rsrs) por ter feito aquele 'enduro' pilotando o fraco e valente Pandinha mas ao mesmo tempo, me senti muito feliz por poder estar ali, vivenciando tudo aquilo e finalmente ter saído um tanto do centro da cidade para uma breve mas emocionante aventura. Levei o carrinho de volta para a agencia e depois todos fomos para a praia, sentar na areia como bons rebeldes que desejamos sempre ser, afinal, quem quer sentar em banquinho tendo toda uma praia para desfrutar? Pegamos umas cervejas e comemoramos o fato de estarmos vivos, com saúde, termos feito o que desejamos e olhamos todos para o mar, para sentir aquela brisa, como que a nos abençoar. Feito isso, partimos para o navio, pois a festa seria Noche Blanca, que adoro fazer. O 11 de setembro ficou feliz e a noite completa!
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