Zemaria ao mar - The Space Ahead


foto de Luck Veloso

Na era do download fica difícil você gostar de um "disco" inteiro de algum artista. Sao tantas faixas sendo produzidas aleatoriamente e liberadas na internet que aos poucos, vamos perdendo o conceito de "álbum". Ate a própria palavra nao faz mais tanto sentido depois da chegada do CD e logo em seguida, o avanço desenfreado do MP3. Nadando contra esta corrente, o grupo capixaba Zemaria (para os que nao conhcem o termo Capixaba ou para os nao brasileiros que acompanham o blog, o termo remete ao estado do Espirito Santo, Brasil), lançou recentemente The Space Ahead, contendo nove faixas muito bem produzidas.

Estava pela madrugada no porto de Piraeus, Athenas, logo apos ter finalizado minha noite na boita e faminto por um contato via internet, parti para o porto, onde ha wifi liberado (quando isso acontecera no Brasil?) e dei de cara com Vix, do Zemaria no msn e contei que quando estive em Mykonos nesta semana, passei a pasta com as musicas do grupo para um DJ local, mas ainda nao conhecia o disco novo. Sou fa do Zemaria desde que recebi o primeiro CD, enviado pela Lona Records se nao me engano no ano de 2003. A partir de enato, nao consigo deixar de ouvir as musicas do grupo, mas as do primeiro disco e confesso que andava por fora do que estavam fazendo atualmente.

Ao entrar no link para visualizar a vinheta feita pela MTV para a votação do VMB 2010 confirmei o que já desconfiava. O Zemaria veio para ficar. Fiquei feliz pois a proximidade proporcionada pela internet, faz com que nos sintamos amigos das pessoas e nao as tratemos mais como estrelas distantes. Neste caso, toda a trupe do Zemaria é super simples e isso só faz a gente gostar mais deles a cada som. Baixei as nove faixas do disco e comecei a ouvir ali mesmo, no porto vazio de Athenas. Que surpresa boa! A cada track, um som diferente e instigante, conforme descrevo abaixo:

1 - Devassa - O inicio da canção já remete a algo crescente, com a bateria atuando com o contratempo, o que de cara me fez lembrar um pouco do The Egg, outra banda que também sou fa e tive a oportunidade de conhece-los no Rio de Janeiro. O som do Zemaria mudou bastante, mas para melhor! Antes as bases eram muito mais para o Drum and Bass. Agora apostando em um soft house, acertaram em cheio. Devassa tem tudo para virar hit.

2 - Centenario - As varias turnes européias fizeram muito bem ao grupo. O aprendizado em relação a musica mundial é nítido e nesta faixa, da para perceber o crescimento se você acompanha o trabalho do Zemaria. Nuances suavez, delas bem aplicados e a voz suave costurando tudo em base dance. Impossível nao querer dançar com essa música. O refrão "feeling all right" é repetitivo, mas na medida certa, para pegar na mente. Me lembra um tanto o projeto que eu também curto, Dragonette. Excelente!

3 - The Space Ahead - A faixa que dá nome ao disco começa com uma batida rock e baixo pulsante, utilizando ainda sintetizadores distorcidos a la Chemical Brothers, mas o tempero do Zemaria transforma o som em algo distinto. As influencias sao utilizadas apenas como uma pequena referencia, mas com atmosfera super criativa, o que nos da a real sensação de novidade. Tente ouvir esta musica apenas uma vez. Duvido…

4 - Any Distance - A melhor musica do disco na minha opinião. Comeco suave, teclado entrando aos poucos e logo em seguida, o crescente com a letra se repetindo, criando o clima de festa. A versão para pista desse som serra baixada como água.

5 - Hit do Porto - Se você vem ouvindo todas as faixas em seqüência, esta é o tempero que da a leve quebrada que todo bom disco precisa. Um belo funk eletrônico construído com bases de bateria eletrônica e alguma coisa de caustica, com o sintetizador fazendo a contra parte com os vocais, agora masculinos. Ainda nao perguntei aos caras quem esta fazendo o que, portanto perdão a ignorância. Climao 80 atualizado, muito bom!

6 - Secret Disco - A faixa mais rápida do disco, tem um ritmo crescente e que remete aos primeiros sons feitos com base eletrônica no inicio dos anos 80, com um sequencer de baixo a la Depeche Mode da época do disco "Some Great Reward", de 1984. Poderia muito bem ser utilizado como trilha sonora em algum filme com temática clube.

7 - Tel Aviv - Simplesmente adoro canções que começam como esta, somente com um teclado sequenciado e baixo entrando aos poucos, junto a outra nuance de teclado, somanda a letra realística "i don't know what to do, i go to television…" , nada mais atual, se bem que poderia ser "pego meu I phone and go…, mas Steve Jobs nao merece tanto esta publicidade gratuita.

8 - The Road si Calling - Ao ouvir essa musica me deu vontade de dirigir, nao sei porque. Acho que ela remete a velocidade e o pior é que depois é que fui ler o nome da track. Pode parecer um trocadilho infame da minha parte, mas juro que nao sabia o nome direito quando ouvi a primeira vez e tive a impressão de rua, de estrada, de saída para algum lugar que te satisfaça, que te faca respirar e sair da rotina. "We can decide, I think of you by my side, I see te satãs all the way we go…", bonito.

9 - Lost Boys - A ultima faixa tem uma batida quase setentista no inicio e o que ajuda mais ainda nesta impressão é a sugestão de um som muito conhecido na canção "Ring My Bell", de Anita Ward, um mega hit que até hoje levanta gente na pista de dança. Mas em seguida, a musica toma identidade própria e isso é muito bacana.

A banda tem feito shows no Brasil e prepara uma nova vinda aqui para a Europa. Estou torcendo de verdade para que isso aconteça antes da minha volta ao Brasil!

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