Mais acontecimentos em Istambul


Mais um pouco de Istambul - indo para Izmir, 29/06/2010 - 23:18 (antes de subir para tocar na Noite Tropical, na piscina)

Provavelmente eu posso estar sendo um tanto repetitivo ao falar tanto de Istambul, reconheço, porém este lugar tão especial da Turquia tem tantas qualidades e coisas diferentes, que não dá pra resumir todos os acontecimentos somente em um post, por isso, caso você esteja realmente lendo o que estou colocando por aqui, tenha um pouco de paciência e continue. O segundo dia consecutivo na cidade foi de mais andanças. A noite anterior havia sido de desembarque e embarque, havia um grupo sempre a fim de ouvir mais musica no final da noite, mas com a pequena confusão que se formou no dia anterior, fui para a boite disposto a dar um basta no máximo às quatro da matina. Não precisei de muito esforço. Com a bebedeira que os caras tinham curtido na noite anterior, poucos apareceram para curtir, mas alguns foram, lá pelas três e meia da manhã, provavelmente após beber todas em um dos outros espaços do navio. Não dei mole e encerrei as atividades às quatro, mas como fiquei amigo da galera do bar, aguardo mais um pouco os caras para podermos comer todos juntos. Até porque, a cozinha no navio funciona direto somente para passageiros. Para a tripulação há alguns 'esquemas' que tratei logo de fazer e um deles, é colar com a galera do bar. Claro que não o fiz somente para comer de madrugada, todos são gente fina e há alguns brasileiros também. Resumindo, fui dormir quase as seis da matina mas havia marcado com o tenor Francisco Caballero para irmos no Grand Bazar comprar algumas roupas. Às dez da manhã o cara me ligou e lá fomos nós, eu caindo de sono mas como já falei, não tô em Istambul para morrer de dormir dentro de uma cabine.

Saímos do navio e caminhamos para o lado esquerdo do porto de Istambul, onde há os bares de narguile, todos com internet free. Pedimos dois cafés com leite pequenos que saem a 5 liras turcas cada um (aproximadamente 2,5 euros) e postei algumas imagens nos sites de relacionamento antes de partirmos para a caminhada. Continuando o caminho após os bares, ha duas opções, ou você vai pela rua principal ou vira a esquerda e vai pela rua que beira o porto, que tem um visual muito mais interessante, claro, dos barcos cruzando o canal e varias aves sobrevoando a fim de almoçar algum peixe. Andamos bastante ate chegarmos perto do mercado, onde comprei uma calça para continuar compondo o visual mais formal que preciso adotar de vez em quando na noite de gala. Uma calca no mercado de Istambul sai a 15 liras turcas, cerca de 7,5 euros. Depois da calça, comprei mais algumas coisas, pingentes e um imã com a primeira frase do Corão. O tenor Francisco é um dos caras mais engraçados de se andar por aqui, sendo um sujeito de estatura baixa e um pouco bonachão, gente boa sempre. Começou a carreira aos onze anos no Paraguai, cantando de tudo, apresentando-se em bares e todos os lugares em que cantores em inicio de carreira costumam se apresentar. Há dois anos optou por se dedicar ao canto lírico, aproveitando melhor sua potente voz. Palhaço por natureza, costuma chamar as pessoas entoando seus nomes como se fosse uma música clássica. Depois de zanzarmos por todo Grand Bazar no centro de Istambul, estávamos com fome e paramos em uma pequena praça, em frente à Universidade de Istambul.

Exatamente às 13:30 (horário local), as mesquitas começaram com a chamada, onde os megafones fazem ecoar por todos os cantos o típico canto turco, que é a chamada oficial para as orações. Levamos um susto, claro, e começamos a rir instantaneamente. Algumas mulheres de burca nos observavam ao longe e também riram. Tomamos apenas uma coca cola por ali, já que queríamos o pão árabe e ali não havia. Caminhamos mais um pouco e finalmente encontramos uma lanchonete com o tal pão, que consiste em uma massa aberta onde se põe frango e alguns temperos para em seguida, ser feito o sanduíche, com opção ou não por batatas e algo picante. Quis o meu completo, mas a língua ardeu um tanto. Cometemos o sacrilégio de perguntar se havia cerveja, no que o vendedor nos alertou a não falar isso alto novamente, pois seria um atentado contra Alah, pois ali todos eram seguidores e não era permitido bebida alcoólica. Então tá. Um dos atendentes era muito irritado, gritando a todo instante com outros mais jovens que eram entregadores de rua. Foi nesse momento que começamos a rir muito pois lembramos de um acontecimento no navio, onde o capitão havia se enganado ao dar a ordem para a equipe de fogo em um treinamento. Ele havia dito que todos deveriam proceder para seus lugares SEM o jaleco salva vidas, mas isso ele disse muito irado, pois todos já haviam ido com jaleco, entao ao ouvir aquele turco gritar tanto com seu colega de trabalho, nos entreolhamos e começamos a rir, falando um para o outro "-You must procede WITHOOOOUT life jackets" rsrs, mas claro que eles não entenderam nada, era uma piada interna. Saímos da loja ainda rindo e fomos caminhando entre as ruas um tanto apinhadas de carros.

Retornamos ao Grand Bazar, já que Francisco queria comprar um traje para sua apresentação. Aproveitei para olhar também algo para mim, quando entraram na mesma loja em que estávamos o saxofonista Pere Grau e a cantora Elisa. Apos escolhermos tudo, voltamos para a rua, que parecia cada vez mais cheia. Havia gente de todos os lados, provavelmente vindas também dos demais navios que estavam ao lado do nosso no porto. Pera precisava comprar um metrônomo e decidimos ir todos juntos à rua de equipamentos. Fiquei muito curioso por ver a tal rua. Quando passamos em cima da ponte de Istambul, demos um abraço coletivo, registrando que provavelmente nunca mais passaríamos por ali todos juntos e comemoramos o fato de estarmos vivos e fazendo nossas histórias trabalhando em algo que amávamos, isso é muito difícil de viver hoje em dia, alias, creio que sempre foi. Após o momento emocional (rsrs), partimos para a enorme ladeira onde ficam as lojas de equipamentos de som. Uma infinidade de lojas de deixar qualquer musico e DJ louco da vida. Situada na parte media que vai sair bem na boca da famosa Taksim, que alias, vou falar mais adiante. Entramos em uma loja que havia um enorme contra baixo acústico e lembramos de Gabriel, o baixista que toca no navio e usa um parecido. Ao olhar para a loja ao lado, vi uma Gibson Les Paul Custom preta de tirar o fôlego… fiquei observando por alguns instantes, lembrando da primeira Gibson que vi na vida, comprada pelo amigo de infância Marcio Senra. Bons tempos aqueles, eu deveria ter aprendido a tocar...

Musicas que ouvi enquanto escrevia este post:

Bonito - Jarabe de Palo
Strangers No More - DeLuxe - Cafe del Mar coletânea
400 Years - Bob Marley
With Arms Wide Open - Creed
Smoke on the Water - Deep Purple
Marian - The Sisters of Mercy
Save the Robots - Institute

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