Istambul, uma paixao!


Istambul, 27/06/2010 - 21:33 (horário local), no Brasil, 15:34.

O bom de repetir para mim que sou uma pessoa de sorte é que isso acaba se tornando um mantra. Tive a oportunidade de descer do navio novamente em Istambul em um domingo, dia típico dos turcos em que todos saem com suas famílias para curtir um pouco os ares da bela cidade. Saimos em um grupo de aproximadamente dez pessoas mas aos poucos, fomos nos separando pois todos tinham interesses distintos como compras, resolver algo pendente na cidade e coisas assim. Ao sair do porto, caminhando para a esquerda em direção a grande ponte que separa os dois lados da cidade, encontramos uma infinidade de bares lindamente decorados com pecas típicas da Turquia, lustres imensos e pufes de varias cores, com bancos expostos ao ar livre e pequenas mesas. Na Turquia a venda de cerveja é muito restrita, sendo inclusive proibida em locais públicos. O forte por aqui é fumar narquile, o famoso fumo coletivo. Nao fumo mas tentei dar umas tragadas já que vir a Istambul e nao fumar um narguile é como estar no Rio de Janeiro e nao provar uma caipirinha. Para turistas é claro. Nao sou turista, estou por aqui a trabalho mas isso nao faz diferença para quem nos atende. Se você nao é local, nao deixa de ser um turista, mas é estranho sabermos que estamos a trabalho e ouvir a todo instante ' have a nice holiday'.

Caminhamos por cerca de 20 minutos e chegamos ao mercado central, que antecede o famoso bazar de Istambul, um emaranhado de ruas apinhadas de gente. Podemos citar como exemplos de comparação a 25 de marco em Sao Paulo e o Saara, no Rio de Janeiro. Muita gente tentando vender de tudo, loucas, porcelanas, tecidos, roupas, doces, carne, temperos diversos o que torna as ruas um verdadeiro arco-íris com diversos aromas. Na primeira vez que estive por aqui, ha um mês aproximadamente, tive que ir por outro caminho, quando fui conhecer as mesquitas mais famosas, incluindo a Mesquita Azul. Tive que comprar algo para trocar meu dinheiro, só estava com dólares e uma vez na Turquia, é melhor andar com a moeda local, a Libra Turca, pois os mais desatentos (como eu) correm o risco de serem enganados. O risco nao, a certeza. Os turcos sao muito espertos e dificilmente você enganara um. Pechincha é algo que nao funciona por aqui. Um dos músicos que estava conosco, o baixista Gabriel, tentou comprar um cinzeiro que custava 5 liras por apenas 4. Tentou eu disse, pois nao houve choradeira. O turco perdeu o negócio e ele nao levou o cinzeiro.

Finalmente troquei meus parcos dólares e pude comprar algumas lembrancinhas. Adoro isso, já disse, se um dia eu sair com muito dinheiro pelas ruas da Turquia voltarei lotado de bolsas. Desde camisas para mim a cahimbo para meu cunhado, comprei uma coisa muito divertida para dar ao meu irmão, um porta cigarros com uma imagem de caveira por fora. Um belo recado, nao? Comprei ainda algumas porcelanas que pretendo utilizar como base para copos. Ha coisas incrivelmente baratas na Turquia, principalmente nestes mercados de rua. Um sapato mediano sai por apenas 15 liras turcas, o que da aproximadamente 7,5 euros. Comprei gravatas pequenas e finas, nao sou de usa-las mas aqui é preciso, pelo menos na chamada Noite de Gala, onde o Cruise Director recebe todos os passageiros para um coquetel onde ha uma apresentação do trio de Jazz, formado por Albita (cantora), Pera (saxofonista) e Alf (pianista). Estou compondo meu guarda roupa clássico aos poucos, pois to na duvida se compro um terno aqui mesmo na Turquia ou em Veneza, que tem os melhores mas conseqüentemente saem muito mais caro. Por que tudo que é bom tem que ser caro?

Quando voltava para o porto, em conversa com o Tenor Francisco Caballero, que faz o show lírico no navio, constatávamos que estávamos andando exatamente na divisa da Europa com a Asia, onde recentemente anunciaram estar prestes a acontecer um terremoto das proporções dos que atingiram o Chile recentemente. Nao foi uma boa ideia lembrar deste detalhe no exato momento em que atravessávamos a ponte que divide os continentes e onde, segundo os estudiosos, estão precisamente localizadas as placas tectonicas que se movem a todo instante, tornando isso aqui uma verdadeira bomba prestes a explodir. Preferia nao ter lembrado, mas… Nao tenho medo da morte, mas como todos, nao quero sair desse mundo agora e creio que nao tao cedo e é sempre assustador pensar em coisas como estas principalmente quando se vê um lugar tao maravilhoso quanto é Istambul. Quando paramos para comer algo, no segundo andar de uma lanchonete bem no centro da cidade, com vista para todas aquelas mesquitas, me imaginei morando ali naquele lugar distante e estranho mas ao mesmo tempo, maravilhoso. Uma sensação estranha mas que com o passar do tempo, vai surgindo na mente enquanto você vai se acostumando a circular pelas ruas, já nao tao desconhecidas como antes. Amanha darei outra circulada pelo outro lado da cidade, espero que as placas continuem adormecidas, para todo o sempre!

Nao ouvi musica enquanto escrevi este post, estou no backstage do show do humorista espanhol Jose Domingues.
Istambul, uma paixao! Istambul, uma paixao! Reviewed by Luck Veloso on 11:57 Rating: 5
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